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Marcenaria – Iniciando um novo hobby

Há cerca de um ano eu comecei um novo hobby, marcenaria. Não é algo exatamente novo porque na casa em que eu cresci, lá no interior de Jacarepaguá, havia uma casinha nos fundos – que nós, as crianças, chamávamos de quartinho – onde meu pai guardava as ferramentas dele. E ele tinha muitas, apesar de nunca ter sido profissional. Conforme eu ia crescendo, meu pai foi me ensinando a usar várias delas e aplicar algumas técnicas. Quando eu cheguei na adolescência, perdi o interesse, como era de se esperar. Na verdade, fui cooptado pelos eletrônicos e computadores. Eu não lembro como esse assunto voltou, agora, depois de velho, mas coincidiu com um amigo do trabalho, que tem o mesmo hobby, e a gente sempre “trocava figurinha”.

Quase todo mundo tem em casa uma furadeira e um punhado de chaves de fenda. Eu também. Mas quando decidi começar a brincar de marcenaria, a necessidade de ferramentas começou a aumentar. A cada trabalho que eu me proponho, acabo esbarrando na necessidade de algo que eu não tenho. Muitas vezes dá para improvisar, mas nem sempre. Acontece que as minhas habilidades com madeira sempre foram incipientes. Por isso, o resultado produzido é sofrível. Mas eu também sei que a técnica evolui com o treinamento. Então eu resolvi inaugurar uma nova catetoria aqui no blog, justamente para poder contar a minha história com a marcenaria. Eu já tenho história para alguns posts, das poucas coisas que eu já fiz, e vou contar aqui. E assim, meu nobre leitor, você poderá acompanhar o meu desempenho nessa atividade.

Já que este é o início de algo que, provavelmente, vai ser uma série, vou tentar contextualizar.

Dá para ter uma oficina de marcenaria?

Marcenaria é uma atividade que costuma fazer uma mega bagunça. Primeiramente você acaba acumulando uma enorme quantidade de ferramentas. Além disso, a medida que se trabalha a madeira, vai saindo pó, serragem e cavaco, e a sujeira fabricada é grande. Algumas máquinas são grandes e precisam de espaço. E nem comentei sobre espaço para estocar matéria-prima e insumos! Por isso, é muito difícil manter um hobby desses dentro de casa.

Alugar um estúdio (ou construir, em um terreno alugado) é algo completamente fora de questão porque os preços de imóveis no Rio de Janeiro são fora da realidade.

Procurando alternativas, eu descobri, aqui perto de casa, um “condomínio de galpões”. É um lugar que tem uma infraestrutura grande e aluga os espaços na forma de galpões de tamanhos variados. Eles oferecem internet de alta velocidade, segurança compartilhada, alguns recursos de logística e administração (secretaria, por exemplo) e você pode monta um contrato com as coisas que você vai precisar. Típico de economia do compartilhamento. Mas o menor espaço que eles alugam é 60m2, que multiplicado pelo preço do metro quadrado (R$ 40,00), continua inviável. Uma pena, porque o espaço parecia ser muito legal.

Sem encontrar um espaço adequado na rua, acabei ficando em casa mesmo. Felizmente eu tenho um quintal na minha casa onde posso fazer minhas atividades, sem que a bagunça invada a casa. Na verdade, sempre acaba invadindo, mas isso eu conto outro dia. Hoje eu quero mostrar o meu espaço e contar as facilidades e os desafios que vieram junto.

Oficina em casa?

Em função do layout do imóvel, essa varandinha do quintal é um espaço morto. Não é prático usar para secar roupa, nem colocar uma mesa com poltronas e fazer um lugar para relaxar… Não dá para fazer nada. E de fato, a gente nem usava para nada, só ia lá para limpar.

O problema da cobertura

Apesar de o espaço em si ser até grandinho, tem um problema grave: não tem cobertura. Existe um telhadinho em um dos cantos, mas é muito pequeno, não funciona para proteger do sol e da chuva.

Mesmo que o Rio de Janeiro esteja no Sudeste, e não no Nordeste, o sol aqui é cruel. Esse é um dos motivos para a cidade ser conhecida como Hell de Janeiro – o outro motivo é segurança pública. Não há a menor possibilidade de se trabalhar ao sol, em um dia de calor. Eu já tentei e, mesmo com protetor solar forte no pescoço e braços, no final do dia estava com a pele ardendo e uma marca de sol bem tosca (os cariocas têm uma palavra mais adequada, mas vou evitar aqui).

De tanto sol, quando resolve chover, são vários dias seguidos. E da mesma forma, não é possível trabalhar na chuva. Não somente porque as máquinas são elétricas, mas também porque algumas madeiras se estragam se forem molhadas. E tem também as ferrametnas de ferro que certamente vão enferrujar.

Eu até pensei em instalar um toldo para fazer uma área com sombra, mas desisti quando vi o preço de um toldo grande. E só protegeria do sol, já que os respingos da chuva são suficientemente impeditivos. Não vai rolar.

O problema da eletricidade

Outro grande problema que encontrei foi a eletricidade. A rede é, por padrão, 110V (ou 127V, se vc preferir), mas algumas máquinas de marcenaria só existem em versões 220V. Sim, eu estou descartando ter em casa as máquinas mais parrudas, profissionais, de 330V. Para ter alguma flexibilidade, eu deveria modificar a instalação elétrica para ter tomadas 110V e 220V. Desnecessário dizer que isso tem que ser feito por um profissional qualificado, o que não é meu caso, então tenho que contratar alguém. Por enquanto, esou usando somente equipamentos 110V, porque não fiz a adequação necessária.

Haveria a possibilidade de usar transformadores 110V –> 220V, mas eu li por aí que isso é pouco recomendado quando se trata de máquinas com motor, que é exatamente o caso. Se precisar, eu lanço mão deste artifício. Por ora, não precisa.

O problema de setup

O terceiro problemão é o setup. Para quem não sabe (tem alguém que não sabe?), setup é o nome dado à preparação ou arrumação que se faz antes de começar a fazer uma tarefa. Como não posso deixar tudo pronto nesse quintal, ao sabor do sol e da chuva, cada vez que vou usar tenho que montar tudo antes de começar e desmontar e limpar tudo ao final. Esse processo de montagem e desmontagem é muito custoso e me toma pelo menos 1 hora início e duas no final. Com isso, eu só me disponho a fazer nos dias que tenho certeza que terei muitas horas livres. Nos dias parcialmente livres ou com possibilidade de chuva eu nem monto o circo.

O que vem por aí?

Mesmo diante de tantas dificuldades, eu resolvi seguir em frente assim mesmo (hehehe). Enquanto não encontro um canto melhor para instalar a minha oficina (tenho que dar um nome?), vou ficando nesse quintal, e lidando com as dificuldades. Dá um mega trabalho, mas é recompensador. Marcenaria é um hobby que representa um desafio ao mesmo tempo que oferece algumas tarefas totalmente manuais e repetitivas, que exigem apenas esforço físico e isso é uma excelente higiene mental (estou me repetindo?).

Em breve vou contar as primeiras tentativas e as dificuldades. Enquanto isso, conte aí nos comentários se você também tem um hobby, onde pratica e os desafios que você já venceu. Ou dá um alô nas redes sociais.

A foto de destaque do post é do Philip Swinburn, no Unsplash.

Published in Marcenaria